Vinologique

Porque a vida é curta para beber vinho ruim – tudo sobre o mundo dos vinhos para iniciantes de um jeito simples e sem frescuras!


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Você tem sede de quê?

Sempre insisto no ponto que vinho bom é aquele que você bebe e gosta, independente do preço, da marca ou de outras pessoas terem gostado, e acho legal compartilhar um exemplo recente aqui.

Domingo passado, dia das mães, achei que devíamos abrir um vinho melhor. Na minha adega eu tinha um Don Melchor safra 2007, que comprei há alguns anos na própria Concha Y Toro, no Chile. Mesmo comprando diretamente do produtor, lembro que não foi um vinho barato. Para dar uma ideia de preço, aqui no Brasil uma garrafa da safra 2009 sai por mais de R$400, ou seja, bem mais caro que a média dos vinhos que costumo tomar normalmente.

Fazendo uma pesquisa rápida, vi que 2007 foi uma das safras emblemáticas para este rótulo. As condições climáticas naquele ano foram consideradas perfeitas para a maturação das uvas, o que é um dos fatores que afeta muito a qualidade do produto final.

don melchor 2007

Ou seja, credenciais não faltavam para este vinho, mas nem por isso ele entrou para a lista dos melhores que já tomei. Ele estava sim pronto para beber, tinha características marcantes, uma certa complexidade (não quero fazer uma análise técnica aqui), mas para o MEU paladar, achei que era um vinho um pouco “exagerado”. Os aromas de fruta negra em compota se sobrepunham aos demais. A acidez e o corpo não estavam equilibrados com o álcool (14,5%), que estava em excesso e me incomodou um pouco. Enfim, nada de necessariamente errado com o vinho, mas não compraria novamente.

Depois de ter aumentado minha “litragem” nos últimos anos, comecei a descobrir qual é o estilo que me agrada mais agora – até porque nosso paladar também evolui com o tempo – e a fazer escolhas mais certeiras. Quando tinha menos referências, escolhia sim vinhos pela marca e pontuação, mas hoje presto mais atenção na uva, na região.

Enfim, não estou dizendo que o Don Melchor não vale o que custa. Você pode ter uma experiência completamente diferente da minha com este vinho. E acho que o legal é justamente isso, provar, provar e provar pra aumentar cada vez mais o seu repertório. 😉

Saúde, santé, cheers, salud!


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Rolha de cortiça em vinhos de guarda

Já falei aqui sobre vinhos sem rolha de cortiça, mas o post de hoje é sobre as vantagens da cortiça em vinhos de guarda, ou seja, aqueles que precisam de algum tempo na garrafa antes de serem consumidos para estarem em seu auge.

Vinhos não gostam de oxigênio. Se deixar uma garrafa aberta por uns 2 dias, não importa qual seja o vinho, você vai entender o que estou falando. Inclusive já mencionei algumas vezes a importância de armazenar garrafas com rolhas de cortiça na horizontal, para que a mesma não resseque e não deixe entrar ar na garrafa.

Mas o que eu não falei é que na verdade o vinho usa o oxigênio para desenvolver alguns de seus aromas. O contato com o ar é parte importante deste processo, mas em quantidades muito microscópicas. A cortiça, como você já sabe, tem furinhos, não é totalmente sólida. O ar consegue (com bastante dificuldade) atravessá-los e interagir com o vinho, fazendo com que este desenvolva alguns aromas complexos. Assim, produtores de vinhos com qualidade superior, que sim se desenvolvem com o passar dos anos, utilizam apenas rolhas de cortiça. Além da tradição, eles defendem que a cortiça tem um papel importante no envelhecimento (daí o preconceito que muita gente tem com os vinhos de rolha sintética).

rolha de cortiçaNo entanto, produtores da Austrália e Nova Zelândia recentemente têm feito estudos para provar que vinhos com tampa de rosca (screw cap) podem envelhecer tão bem quanto os com rolha de cortiça – se não melhores, por não estarem sujeitos a problemas que só aparecem nas rolhas. De qualquer forma, só saberemos o resultados destes estudos em alguns anos. Até lá, podemos continuar bebendo e tirar nossas próprias conclusões. 😉

Saúde, santé, cheers, salud !


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Rapidinha: Adega – eu preciso de uma ?

As adegas têm se tornado cada vez mais populares, mas a resposta simples pra maioria das pessoas é: NÃO, você não precisa de uma em casa.

Uma adega sempre vai ser sim o melhor lugar para armazenar vinhos, pois controla a temperatura, luz e umidade. Ela cria o ambiente ideal para os seus vinhos envelhecerem sem defeitos. Mas… Lembra quando eu falei que a maioria dos vinhos não é feita para envelhecer? Uma adega tem muito valor se você for investir não só nela, mas também em vinhos de guarda, que precisarão de um espaço dedicado. Caso contrário, se você costuma beber mais fora de casa ou se compra vinhos logo quando pretende consumí-los, melhor investir direto nas garrafas.

A boa notícia é que o consumo de vinhos vem crescendo no Brasil 😀 e já existem inúmeros modelos de adegas de diversos fabricantes, desde aquelas com grande capacidade e mais de uma regulagem de temperatura (para diferentes estilos de vinho), feitas sob medida, até adegas mais simples, para apenas 8 ou 6 garrafas, que já estão mais acessíveis. Ter uma destas em casa pode ser interessante tanto pelo ponto de vista decorativo como também pode acabar incentivando o hábito de consumir vinhos de melhor qualidade e com maior frequência – e no fim é isso que importa, não é mesmo ? 😉

Saúde, santé, cheers, salud !