Vinologique

Porque a vida é curta para beber vinho ruim – tudo sobre o mundo dos vinhos para iniciantes de um jeito simples e sem frescuras!


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A etiqueta e a rolha

Muitaaaaaa, mas muita gente mesmo fica com receio de levar vinho para um restaurante. Conheço uns que têm vinhos muito bons em casa mas demoram para abri-los só porque costumam comer fora e sequer cogitam levar uma garrafa.

Pois saibam que não tem nada demais em fazer isso, contanto que você saiba algumas regrinhas de etiqueta. E nem são tantas assim pra lembrar:

1- Cheque com antecedência qual é a política do restaurante e se há taxa de rolha. Não adianta tirar um vinho da adega pra ele ser barrado na porta, né? Existe até o app de celular Taxa de Rolha (já falei dele aqui) que mostra os restaurantes perto de você que aceitam e qual será o preço cobrado. Sem surpresas é melhor pra todo mundo!

2- Pergunte também se o restaurante tem o rótulo que você pretende levar em sua carta de vinhos. Se tiver, troque o rótulo, troque o restaurante ou aborte a ideia. É a mesma coisa que ser convidado pra jantar na casa de um amigo que quer cozinhar seu prato preferido e levar a sua marmita – pega bem mal.

3- Regra que vale para a vida: tenha bom senso. Veja se o vinho que você pretende levar combina com o lugar. Não faz muito sentido levar um vinho super básico (pra não dizer de qualidade inferior) em um restaurante muito chique ou um muito especial num sujinho onde nem o dono recomenda comer por lá. Caprichar na gorjeta também é recomendado, já que geralmente os garçons vão abrir e  servir o vinho, ainda que você o tenha fornecido.

Se ainda assim você é dos que não se sente à vontade levando a própria garrafa a tiracolo, acho melhor mesmo não forçar e guardar o rótulo para ser aberto em uma situação mais confortável. Pode parecer bobagem, mas, como já falei aqui antes, a situação também influencia a sua percepção e se você achar que está fazendo alguma coisa de errado são grandes as chances de ter uma experiência ruim e colocar a culpa no vinho.

Em tempos de preços mais altos (e temperaturas mais baixas brrrr) acho sempre válido pensar em opções para garantir a sua taça. Como disse ontem, precisamos aumentar esse consumo, minha gente!! Passe na sua loja preferida, abasteça seu estoque e leve sua garrafa pra jantar sem medo! 😉

Saúde, santé, cheers, salud!

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O preço das tradições

Estes dias ouvi uma história de terror baseada em fatos bem reais que arrepiaria até os mais destemidos…

Alguns (poucos) restaurantes insistem em manter algumas tradições (para não dizer comportamentos machistas) que não só não fazem o menor sentido em 2015 como podem causar alguns imprevistos financeiros.

Sendo uma mulher jovem que gosta/entende um pouco de vinhos já fui “vítima” de muitos garçons que insistem em oferecer ou entregar a carta de vinhos direto para o homem da mesa (ou para a pessoa mais velha). O serviço também muitas vezes começa com esta mesma pessoa provando. Até aí entendo que foi este o treinamento que receberam, apesar de achar que estas instruções precisam se modernizar. Alguns garçons arriscam perguntar quem vai degustar, mas não é sempre nem em todos os estabelecimentos que isso acontece. Tudo bem, sem grandes danos até aí.

Mas alguns restaurantes vão além no preconceito tradicionalismo e oferecem cardápios sem preços para as mulheres. Uma gentileza, diriam? Bom, eu não sei vocês, mas independentemente de quem for pagar a conta eu acho bem normal querer saber quanto custa qualquer item do menu. Me sinto inclusive ofendida de ser privada desta informação, tratada como uma criança que depende de um adulto responsável para pagar. Enfim…

Era uma vez um homem que levou uma mulher para jantar num destes restaurantes tradicionalíssimos de São Paulo. Chegando lá, ele também quis fazer uma gentileza e pediu que a moça escolhesse o que iam beber. Já entenderam o que aconteceu, né? Ela recebeu o cardápio sem os preços, escolheu uma garrafa (não sei o quanto a escolha foi aleatória ou premeditada), eles beberam até a última gota e a conta foi entregue para o homem. Por algum milagre ele não teve um ataque cardíaco quando viu que a garrafa escolhida custava 5 dígitos – cerca de R$30 mil! O.O Ele achou que fosse engano, tentou argumentar, discutir, chorar. Fato é que o vinho era um rótulo raro, de uma safra igualmente especial, que foi totalmente consumido, e ele precisava arcar com o custo de tanto luxo. O cidadão teve que vender o carro para quitar a dívida – e provavelmente não deve conseguir beber mais uma taça de vinho sequer ou imaginar o rosto dessa mulher desde então. Como falei no começo, a história é real, aconteceu com o amigo de um amigo (e peço desculpas caso tenha distorcido algum detalhe sem querer).

Como não ouvi a história em primeira mão, eu mesma tenho dúvidas da veracidade dos fatos. Não pelo valor da garrafa, pois existem sim vinhos de preços exorbitantes, mas fico inconformada de pensar que alguém (seja homem, mulher, trans, golfinho, pouco importa) seja capaz de comprar um produto sem ter a menor ideia de preço e morro de vontade de perguntar para o mâitre do restaurante como eles não checaram com o “pagante” se ele estaria de acordo em desembolsar essa quantia exorbitante. Já pensei até que se fosse comigo eu processaria o estabelecimento por não ter feito isso, mas aí entro no loop mental de que jamais aconteceria comigo porque eu não ia pedir sem saber rs…

O ponto é que algumas destas chamadas “gentilezas” não têm a menor razão de existir numa sociedade onde as mulheres são economicamente ativas como a nossa. Qual é o problema da moça saber o preço de um prato ou de uma bebida, afinal?

Moral da história: perguntar (o preço, neste caso) não ofende! Até porque se for pra beber um vinho de R$30 mil, pagando ou não, quero ter certeza que estou vestida à altura para a ocasião! rs 😉

Saúde, santé, cheers, salud!


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Dia dos Namorados – Canaille

12 de Junho chegando, dia do “onde será que ele/ela vai me levar pra jantar?”, e tenho uma ótima dica pra você que está em São Paulo e quer impressionar aquela pessoa especial.

O Canaille é um bar/restaurante gracinha em Pinheiros, aberto no começo do ano, onde o vinho ganha papel de protagonista – mas a comida não fica nem um pouco atrás. Conheço a sommelière de lá, a Marina Bertolucci, de uma outra vida, quando nenhuma de nós  ainda estava envolvida no mundo dos vinhos. Ela é mais um caso bem sucedido de “larguei-a-profissão-que-pagava-bem-mas-não-me-fazia-feliz” e hoje comanda a carta de vinhos com opções bastante surpreendentes e acessíveis – e cheia de vinhos em taça <3. Já fui lá algumas vezes e a cada nova visita gosto de experimentar alguma coisa nova. Existe tanto vinho no mundo, qual é a graça de ficar bebendo sempre o mesmo, né?

Como se uma carta de vinhos bem-feita não fosse suficiente para recomendar uma visita, aqui vai um motivo a mais para os casais apreciadores de bons vinhos: um cardápio especial para o Dia dos Namorados que pode ser harmonizado com 3 vinhos diferentes, uma taça para cada prato.

dia dos namorados Canaille

Não sei vocês, mas eu fiquei babando com as opções – sem falar no preço!!

Ah, recomendo fazer reserva logo, porque Dia dos Namorados costuma ser também uma daquelas datas que bate recorde de filas de espera em todos os restaurantes da cidade, e stress, fome e sede não combinam com romance. 😉 O telefone de lá é (11) 3898-3102.

Saúde, santé, cheers, salud!