Vinologique

Porque a vida é curta para beber vinho ruim – tudo sobre o mundo dos vinhos para iniciantes de um jeito simples e sem frescuras!


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Vinhos de Páscoa – final – Chocolate

E agora o grand finale dos posts de Páscoa com um tema que muita gente já tinha me perguntado antes: o que harmoniza com chocolate, a estrela das sobremesas desse feriado ???

É difícil achar um vinho que combine com chocolate porque eles têm características muito diferentes um do outro. Chocolates têm uma textura untuosa, que “gruda” na boca, e são uma bomba de açúcar. Faça um teste com suco de laranja. Tome um gole do suco (que pode até ser adoçado se você quiser). Depois coma um pedacinho de chocolate ao leite e tome outro gole do mesmo suco. A sensação na segunda vez vai ser de que você está tomando um suco muito mais seco e azedo.

O mesmo acontece com os vinhos. Tomar o mesmo que estava acompanhando um prato salgado, nem pensar! Você precisa de uma bebida que tenha um nível de açúcar mais próximo do doce, para que os dois tentem complementar os aromas um do outro e conviver sem brigar.

No caso dos chocolates ao leite, uma boa escolha pode ser um vinho doce da uva Moscatel, como o italiano Moscato d’Asti. Já para os chocolates meio amargos, uma opção é um Porto LBV. O importante em ambos os casos é que o vinho seja bem doce e não muito ácido.

Eu pessoalmente prefiro terminar o vinho primeiro e curtir o chocolate sozinho depois. Pro meu gosto, este é um caso em que cada um mostra o seu melhor de forma isolada. Mas como paladar é MUITO pessoal, você pode preferir o casamento dos dois. De qualquer forma, vinho e chocolate são duas coisas que eu AMO ❤ em qualquer época do ano e situação.

Saúde, santé, cheers, salud ! – e FELIZ PÁSCOA !!! 😀


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Vinhos de Páscoa – parte 2 – Pratos Principais

Depois do post de ontem, você deve ter pensado: “ok, pára de enrolar e conta logo o que vai bem com a receita de bacalhau da minha avó!!!”. Mas não foi enrolação, é difícil pensar em tantos pratos, o post é longo, mas espero que eu tenha conseguido chegar pelo menos perto de um prato que te ajude a escolher o vinho ! 🙂

Em primeiro lugar, esqueça a regra que você com certeza já ouviu sobre vinho branco pra peixes e tinto pra carnes vermelhas. Até porque você já sabe que existem muitos estilos de vinhos. Esqueça isso, ok ?

Começando pelo bacalhau, ingrediente típico da Sexta-feira Santa. Sempre acho muito legal tentar encontrar vinhos da mesma região de origem dos pratos, sempre fazem ótimas combinações, então alguns dos vinhos citados aqui são portugueses.

  • Bolinho de bacalhau: combina perfeitamente com um vinho branco de corpo leve, aromas suaves e com bastante acidez, como um espumante brasileiro (SIM, brasileiro !!!) ou Prosecco. Se você perdeu o post sobre eles, clique aqui. Vinho verde, uma variedade branca de Portugal, também fica ótimo.
  • Salada de bacalhau: harmonize com vinhos brancos de boa acidez e corpo médio. Aqui também cabe aqui um vinho verde.
  • Bacalhau a Gomes de Sá (assado com batatas, cebolas e azeitonas): pode ser acompanhado por um branco um pouco mais encorpado, como os do Dão ou Bairrada (portugueses), por um vinho rosé ou até arriscaria um tinto leve, como um Beaujolais (francês).
  • Bacalhau ao molho branco gratinado ou risoto de bacalhau: para quebrar a gordura e equiparar o corpo, sugiro um vinho mais encorpado e com bastante acidez. Neste caso, cai muito bem um branco Chardonnay envelhecido em madeira , um tinto, como os do norte e centro de Portugal (Dão, Bairrada ou Lisboa) ou ainda um Pinot Noir francês ou neozelandês (a região de origem mais fria garante maior acidez no vinho).

“Mas eu não gosto de bacalhau e acabo comendo outros peixes”:

  • Peixe branco: siga a linha mais simplista. Se o peixe for grelhado ou assado e temperado com ervas, um Sauvignon Blanc oferece uma boa combinação de aromas. Já se ele tiver algum molho, prefira um Chardonnay jovem, sem passagem por carvalho (indicação “unoaked” no rótulo ou explicação no contra rótulo).
  • Salmão: indico novamente o Chardonnay de uma região fria, como Borgonha ou Chile, pois a acidez do vinho equilibra bem com a gordura natural do salmão.

Pro almoço de domingo, minha pesquisa informal chegou à conclusão que o cardápio pode ser bastante variado em cada família. Umas continuam comendo peixe, outras preferem ter uma carne pra compensar. No caso da carne:

  • Churrasco ou carne grelhada: como vivemos em um país tropical, muita gente pensa que só cerveja vai bem em churrascos, mas um vinho rosé ou tinto mais leve, como os feitos com as uvas Merlot ou um corte de Cabernet-Merlot, podem oferecer uma ótima alternativa.
  • Carnes assadas acompanhadas por molhos ou outros acompanhamentos condimentados: os temperos pedem vinhos mais potentes, senão acabam deixando a bebida “sem graça”. Neste caso, pense nos nossos vizinhos sul-americanos e combine com um Malbec argentino ou com um Carmenère chileno (meu preferido), que sempre traz notas de pimenta muito características desta cepa.

Lembrando mais uma vez que estas são apenas algumas sugestões. Harmonização não tem regra, você sempre pode experimentar combinações menos comuns e fazer grandes descobertas !

“Ah mas a minha avó faz outra coisa que você não mencionou” – então me conta aqui nos comentários que eu sugiro outra combinação pra você !! 😉

E amanhã, o último post de Páscoa, falando das sobremesas !!! ❤

Saúde, santé, cheers, salud !


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Vinhos de Páscoa – parte 1

Depois de quebrar um pouco a cabeça sobre por onde começar a falar em harmonizações, decidi fazer uma minissérie de posts. Sei que alguns talvez iam preferir uma indicação direta: “se o prato for bacalhau, sirva o rótulo x, safra y”, mas não vou fazer isso. Primeiro, porque todos devem ter a liberdade de escolher aquele vinho que estiver disponível em seu fornecedor. E depois porque não conheço todos os vinhos do mundo, nem o gosto de todos os meus leitores e a ideia aqui não é falar apenas de um produtor, e sim dar algumas direções sobre como escolher um vinho que vai combinar bem com os pratos que serão servidos.

As primeiras recomendações são razoavelmente simples. 🙂

1- a única regra que você absolutamente PRECISA seguir é: respeite o seu paladar. Ignore qualquer regra pronta se ela não fizer sentido para o seu gosto. Se não gosta de um tipo de vinho, escolha outro para a harmonização.

2- saiba que a comida tem o potencial maior de “estragar” o vinho do que o inverso. Ou seja, escolha o vinho depois de saber o prato que será servido.

3- a forma de preparar o prato afeta radicalmente a harmonização. Bacalhau ao forno não tem o mesmo gosto de bolinho de bacalhau, apesar de usarem o mesmo ingrediente central. Considere não apenas o ingrediente, mas também o “peso” do prato e a intensidade do sabor antes de decidir o que beber.

Eu sei, eu sei, você ainda está esperando a parte em que vou falar qual vinho tomar com qual prato, mas falamos mais disso no post de amanhã, ok ? Enquanto isso, deixo um tempinho pra você pensar no cardápio. 😉

Saúde, santé, cheers, salud !