Vinologique

Porque a vida é curta para beber vinho ruim – tudo sobre o mundo dos vinhos para iniciantes de um jeito simples e sem frescuras!


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Rapidinha – Velho Mundo x Novo Mundo

Você já ouviu alguém dizer que prefere os vinhos do Velho Mundo? Ficou sem graça de perguntar onde raios ficava isso ?

Velho e Novo mundo são duas expressões usadas para designar a origem e também para indicar o estilo de um vinho.

Velho Mundo: países europeus com tradição produtora de vinhos, como França, Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, entre outros – em laranja no mapa:

Mapa extraído de Winefolly

Mapa extraído de Winefolly

Novo Mundo: países que entraram na produção mundial mais recentemente, como Chile, Argentina, Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Estados Unidos – em verde no mapa.

Generalizando MUITO, vinhos do Velho Mundo tem fama de serem mais complexos e delicados, enquanto os do novo mundo seriam mais alcoólicos e simples. Claro que como toda generalização esta também é bem injusta e falha, então mais pra frente farei um post mais detalhado sobre estas diferenças de estilo, ok?

Saúde, santé, cheers, salud !


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Vive la France !

Muita gente tem dificuldade para comprar vinhos franceses. “Não entendo nada no rótulo!” ou “O rótulo não fala qual é a uva!”.

Bom, a França é considerada o berço do vinho. Há séculos a produção vinífera é um dos pilares da economia francesa. Muitos vinhos produzidos em países como EUA, Chile e Austrália tentam seguir os cortes franceses e seus métodos de vinificação.

Tanto sucesso não é à toa. O país tem simplesmente tudo que uma vinícola pede para produzir bons vinhos, com uma variedade enorme de castas e terroirs, e (ainda bem!!) tudo isso vem sendo muito bem explorado. O vinho está tão incrustrado na cultura francesa que eles não precisam de grandes explicações no rótulo. Diferente dos vinhos do Novo Mundo, que têm contra-rótulos com descrições extensas, os franceses assumem que você já sabe o que vai encontrar em uma garrafa com poucas informações.

Para entender o que está comprando é preciso conhecer um pouquinho de geografia, pois é uma das principais indicações que aparecem nos rótulos. E quanto mais nobre for a denominação da região, mais o produtor fará questão de exaltá-la. Por exemplo: Chablis é uma sub-região da Borgonha onde é produzido um estilo único de vinho a partir da uva Chardonnay. O produtor vai preferir deixar “Chablis” em destaque no rótulo em vez de dizer que é um Chardonnay ou um Bourgogne.

map-french-wine1Aqui está um resumo, muito simplificado e de algumas das regiões mais famosas, para ajudar você em suas próximas escolhas:

Bourgogne – região da Borgonha, no Leste da França, clima continental. Se for um vinho branco, é Chardonnay. Se for um vinho tinto, é um Pinot Noir. Principais sub-regiões: Chablis, Mersault e Pouligny-Montrachet, para brancos; Gevray-Chambertin, Nuits-St. Georges, Beaune e Pommard para os tintos.

Bordeaux – região a Oeste da França, clima marítimo. O corte clássico da região para vinhos tintos é Cabernet Sauvingon + Merlot. Principais sub-regiões: Médoc, Haut Médoc e Pessac-Léognan (margem esquerda, Cabernet Sauvignon predomina no corte); St. Émillion e Pommerol (margem direita, Merlot predomina).

Vale do Loire – melhor região para o Sauvignon Blanc. Sub regiões: Sancerre e Pouilly-Fumé.

Côtes du Rhône – região mais para o Sul da França, em torno do rio Rhône (ou Ródano), produz principalmente vinhos a partir de Syrah e Grenache. Sub regiões: Côte Rôtie, Hermitage, Crozes-Hermitage (norte do Rhône, sempre Syrah) e Châteauneuf-du-Pape (sul do Rhône, geralmente base Grenache, Syrah e Mourvèdre, mas permite até 13 variedades de uvas diferentes no corte).

Côtes de Provence – região Sudeste de clima mediterrâneo, produz excelentes vinhos rosés.

Parece muito complicado, eu sei, mas quanto mais você consumir vinhos de uma região, mais vai se acostumar com os nomes e os estilos. Eu se fosse você começava a investir nesta lição de casa ! 😉

Saúde, santé, cheers, salud !


3 Comentários

La vie en rosé

Desculpa, mas não resisti ao trocadilho com a música da Edith Piaf no título do post.

Eu particularmente AMO vinho rosé e não me conformo com o preconceito que muita gente tem (principalmente homens, por causa da cor da bebida) em relação a ele aqui no Brasil. Vivemos em um país tropical, quente e ensolarado a maior parte do ano, com milhares de quilômetros de praias, e no verão as pessoas fogem de vinho como o diabo foge da cruz. É sempre cerveja ou caipirinha…

Gosto bastante de cerveja, curto uma caipirinha, mas uma garrafa de rosé gelada cai tão bem na praia ou num churrasco quanto as opções mais comuns. Vinhos rosés bem feitos costumam ter um corpo leve, aromas frutados (não confunda frutado com doce, é beeeem diferente!!) e acidez média/alta, o que costuma ser bem refrescante, além de serem fáceis de beber para quem está começando a conhecer o mundo dos vinhos.

Os melhores rosés na minha opinião vêm do Sul da França, mais especificamente da Provence. Lá está a combinação perfeita de clima, solo e uva para fazer os melhores rosés do mundo – diferente de outras regiões que o produzem como plano B. Se for viajar para lá, recomendo experimentar a variedade quase infinita de rótulos, facilmente encontrados em supermercados a preços módicos (como este Crazy da foto abaixo). Infelizmente, aqui no Brasil não chegam tantas opções e as garrafas não são tão baratas, mas é possível sim encontrar alguns bons exemplares.

Rosé Crazy - Ago 2014

Esta semana fui convidada para um churrasco e resolvi levar um rosé. Comprei este MJ da foto abaixo, da região Pays d’Oc (não é exatamente Provence, mas é a região vizinha), paguei R$59,00 no St. Marché, em São Paulo.

Rosé MJ - Mar 2015

Como esperava, ele combinou perfeitamente com o calor de 30 graus e com a comida. Aliás, escrevendo este post em outro dia quente de Março, queria ter outra garrafa dele aqui do meu lado. 😉

E você, o que está esperando pra experimentar um rosé e já entrar no clima de fim de semana ???

Saúde, santé, cheers, salud !

ps: não falei até agora, mas nenhum dos meus posts é patrocinado (infelizmente ! rsrs). Sempre que mencionar alguma garrafa, produtor ou região, tenha certeza de que não estou ganhando nada com isso.

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