Vinologique

Porque a vida é curta para beber vinho ruim – tudo sobre o mundo dos vinhos para iniciantes de um jeito simples e sem frescuras!


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Na ponta da língua

Hoje quero falar um pouquinho sobre as sensações do vinho na boca.

Já ouvi muita gente dizer que prefere um vinho doce, ou “mais suave”, mas percebi que raramente é isso que querem dizer.

Para esclarecer o que é a sensação de doce vou fazer uma comparação com comida. O sabor doce é mais sentido pelas papilas na ponta da língua. Se tiver algum doce ou fruta madura perto de vc, faça o teste. Lamba um pedaço com a ponta da língua, espere um pouquinho e depois teste outro na lateral ou no fundo da boca. Você vai perceber que sente menos o açúcar nestas últimas regiões. Mas dependendo do que você usou ainda vai sentir outros componentes do sabor – e é aí que surge a confusão.

Esse gosto que você identificou no começo é o doce. A maior parte dos vinhos tem aromas de frutas, mesmo os mais secos, e são estes aromas que muita gente classifica errado. Os vinhos doces de verdade são aqueles que têm açúcar residual, ou seja, a uva utilizada na produção tinha tanto açúcar que só parte dele foi convertida em álcool, enquanto o resto ficou adoçando a bebida. É o caso dos famosos Sauternes, alguns estilos de Rieslings alemães e dos late harvest (colheita tardia), entre outros. Alguns são tão doces que até a textura é mais licorosa. Em geral, são conhecidos como vinhos de sobremesa.

Em compensação os vinhos secos podem ser muito aromáticos, alguns bastante frutados. Dependendo da produção e da uva utilizada, você pode identificar aromas de mel, baunilha, frutas em compota…coisas que o nosso cérebro foi sempre treinado para identificar como doce e por isso criamos inconscientemente esta expectativa de sabor. Um exemplo prático: o vinho natureba que tomei outro dia no Saint Vinsaint (post aqui) tinha um aroma muito intenso de doce de mamão, mas era extremamente seco na boca. A amiga que me acompanhou no jantar gostou muito mais do aroma do que do sabor, justamente porque criou a expectativa de que ele fosse mais docinho.

É importante entender a diferença para que você saiba comprar vinhos que realmente sejam do seu gosto – e evitar os que não são. 🙂

Outros fatores como corpo, álcool e acidez também são mal interpretados com frequência, mas vou deixar estes pra outros posts. 😉

Saúde, santé, cheers, salud!


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Defeitos imperdoáveis 

Final de semana chegando e você já deve estar fazendo planos pra abrir uma garrafa, né ? Então queria falar rapidinho sobre vinhos com defeito, que citei no último post. 

Vinhos com defeitos são aqueles que fogem às suas características padrão por algum processo que não era previsto em sua criação, ou seja, não estão bons para consumo. Sabe quando o garçom serve só um pouquinho da garrafa e espera alguém provar antes de servir o restante da mesa ? A intenção é justamente que o “provador” verifique se o vinho está limpo, ou seja, sem defeitos.

Em geral os defeitos podem ser descobertos no aroma (mas se for sutil você pode beber para tirar a dúvida). Os dois mais comuns são:

vinho com cheiro de mofo ou pano molhado: também conhecido como bouchonné (“rolhado”, em tradução livre), significa que o vinho foi contaminado por um fungo presente na rolha. Por razões óbvias, um vinho que não tenha rolha não pode ter este defeito. 😁

vinho com cheiro de vinagre ou vermute: significa que o vinho foi oxidado pela entrada de ar na garrafa. Isso pode acontecer por armazenamento incorreto ou porque ela já está aberta há dias (onde vendem vinhos em taça).

Pode parecer óbvio falando aqui, mas não é raro ver alguém bebendo um vinho defeituoso e achando que estas são suas características normais.  Um vinho pode ter tantos aromas exóticos (xixi de gato, suor, estábulo, giz, por exemplo) que os defeitos podem ser confundidos como mais um deles. Se for tomar um vinho e perceber um destes dois, não tenha vergonha de pedir que o sommelier do restaurante troque a garrafa/taça. Como digo, a vida é curta pra beber vinho ruim! 😉

Ótimo final de semana e desejo que encontre só vinhos perfeitos!!

Saúde, santé, cheers, salud !


6 Comentários

Que bom pra você !

Ok, agora sim voltando ao que interessa: VINHOS !!! Outra questão super comum é: na hora de comprar um rótulo que não conheço, como eu vou saber se este vinho é bom?

Já adianto que essa é uma pergunta que eu não vou conseguir responder fácil. Quer dizer, claro que existem indicadores da qualidade de um vinho, mas em primeiro lugar, gosto é totalmente pessoal ! Eu mesma já provei vinhos renomados (e caro$$$$) que não eram do meu gosto, mas ainda assim eram famosos e bem avaliados como bons exemplares de seu gênero.

O fato de eu não ter gostado (ou você) não questiona a qualidade do vinho em si. Sabe quando falei dos aromas ? Eu não sou muito fã de maracujá, por exemplo. Qualquer vinho branco que tenha um aroma muito forte de maracujá provavelmente não vai ser dos mais agradáveis pro meu paladar. Do mesmo jeito que você pode amar maracujá e vai achar o mesmo vinho incrível. A percepção também é muito pessoal, um aroma intenso para uns pode ser fraco para outros – vejo isso acontecer com comida o tempo todo.

Em relação à qualidade, existem sim vinhos com melhor reputação que outros, feitos em regiões mais propícias à produção, com uvas melhores, processos de fabricação mais elaborados, etc, mas nem sempre é o vinho mais caro que mais agrada.

E como saber se vc vai gostar de um vinho ou não ? Basta abrir a garrafa e tomá-lo ! 🙂 – não me xingue, to falando sério !!!

Fotinho pra descontrair - 2008 nas Caves da Moet & Chandon - região de Champagne

Fotinho pra descontrair – 2008 nas Caves da Moet & Chandon – região de Champagne

 

 O único jeito 100% infalível de saber se você vai gostar é provando. Se não conhece o rótulo, sempre é uma aposta – o truque é buscar pistas pra minimizar o seu risco. Se você gosta de vinhos e bebe com uma certa regularidade vai acabar percebendo que tem preferências. Pode ser uma uva, um produtor, uma região… Quanto mais vinhos diferentes você experimentar, mais vai desenvolver o seu olfato e paladar para identificar aromas prazerosos.

E claro que existem vinhos ruins – vou chamá-los aqui de vinhos com defeitos. Pense neles como os vinhos que, independente do gosto de cada um, todas as pessoas que o bebessem achariam ruim. São problemas criados na maioria das vezes pela armazenagem incorreta da garrafa e costumam ser fáceis de identificar. Mas isso explico outro dia…

Ah, ter memória boa também é importante: se gostar muito de um vinho (ou se não gostar), anote o nome e a uva. Tente perceber exatamente o que chamou sua atenção, para bem ou para mal. Assim da próxima vez que for escolher uma garrafa você já tem uma referência de partida. Mas desenvolver a lista de vinhos preferidos é uma missão – das mais agradáveis, aliás – que não pode ser terceirizada.

Última dica: muitos produtores ao importar vinho para o Brasil incluem um contrarrótulo. Às vezes eles indicam os aromas que você vai encontrar no vinho e você pode usar estas informações como guia, procurando por aromas familiares. E em todo caso, a maioria das lojas especializadas e restaurantes têm Sommeliers à disposição que podem ajudá-lo na escolha. Não tenha vergonha de perguntar, estamos aí pra isso !!! 🙂

E você, já tomou um vinho que não gostou?

Saúde, santé, cheers, salud !