Vinologique

Porque a vida é curta para beber vinho ruim – tudo sobre o mundo dos vinhos para iniciantes de um jeito simples e sem frescuras!


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Tamanho que realmente importa

Quando o assunto é garrafa de vinho, a máxima de que tamanho não é documento nem sempre é válida. O tamanho pode sim fazer bastante diferença!

A medida padrão de uma garrafa é de 750ml, mas existem desde as doses individuais de 187 ml, as famosas Magnum (1,5 litro), as Jeroboam (3 litros) e até as raras Matusalém (6 litros) – e estes são apenas alguns entre vários outros formatos criados desde o surgimento da técnica de vidro soprado, que moveu o vinho das ânforas para o vidro que conhecemos hoje.

garrafas tamanhos

Então como um mesmo vinho (mesma safra e produtor) armazenado em garrafas de tamanhos diferentes pode apresentar diferença ao longo do tempo?

Simples: quanto maior a garrafa, menor a proporção de oxigênio para o vinho dentro dela e, portanto, mais lento será o processo de evolução e oxidação. Em outras palavras, um vinho de guarda armazenado em uma garrafa Magnum envelhecerá mais lentamente que o mesmo vinho em uma garrafa normal, que por sua vez também envelhece melhor que uma meia garrafa e assim por diante. Isso explica o porquê dessas serem tão valorizadas (além de simplesmente terem um volume maior de líquido, o que já seria um benefício por si só 😀 ).

Vc já deve ter lido aqui que nem todo vinho foi feito para envelhecer e por isso pode imaginar que apenas vinhos muito especiais são engarrafados nos formatos maiores. Do outro lado, os vinhos mais comerciais, feitos para o dia a dia, de produtores que precisam vender em grande volume podem ser encontrados facilmente em formatos menores, já que não foram criados para um longo período de armazenamento e costumam ser consumidos rapidamente – e não há nada de errado com isso, contanto que vc tenha a expectativa correta e não espere um Grand Cru em garrafinhas individuais.

Tem produtor por aí vendendo vinho até em caixinha Tetra Pak, mas esse assunto é melhor deixar pra outro dia! Rs

Saúde, santé, cheers, salud!


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Na vertical

Já falei aqui sobre as degustações às cegas e hoje vou explicar outra modalidade: as degustações chamadas de verticais.

Elas não têm nada a ver com a posição da garrafa e muito menos com a de quem está bebendo. 😉 Uma degustação vertical nada mais é que experimentar um mesmo rótulo de safras diferentes. Por se tratar do mesmo produtor, é possível entender os efeitos das mudanças climáticas de um ano para outro. Uma região que tenha sido afetada por temperaturas acima da média em uma determinada safra pode apresentar aromas de frutas mais maduras quando comparada a uma safra mais típica, por exemplo.

Exemplo de vertical. Créditos de imagem: vinocult.net

Exemplo de vertical. Créditos de imagem: vinocult.net

Outro efeito legal de se observar em uma vertical é o fator do envelhecimento na garrafa, no caso dos vinhos de guarda. Ao contrário do que muita gente pensa, não são todos os vinhos que se beneficiam do envelhecimento, mas apenas uma pequena parte da produção mundial de vinhos continua se desenvolvendo depois de engarrafada. Alguns precisam de poucos anos para atingir seu auge, outros de décadas. Não preciso nem dizer que fazer uma vertical dos rótulos mais famosos é um privilégio para poucos e o custo pode ser bem proibitivo, mas sem dúvida é uma das experiências mais interessantes para os amantes de vinhos.

Se tiver paciência para esperar e local para armazenar, compre um vinho de que goste de safras diferentes ao longo dos próximos anos e abra-os juntos. E se tiver MUITA paciência (ou muito $$$ 😀 ), comece a investir nestas garrafas especiais para fazer uma degustação vertical dessas exclusivíssimas – e, claro, fique à vontade pra me convidar! rs 😉

Saúde, santé, cheers, salud!


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De taça em taça

Já falei algumas vezes sobre o quanto me frustra a falta de bares que servem vinhos em taça em São Paulo… Bares e restaurantes que não são especializados em vinho geralmente têm uma opção de tinto e uma de branco, quando muito. Mas existe um motivo pra isso: o consumo no Brasil ainda é baixo e uma garrafa de vinho não foi feita para “sobreviver” muito tempo depois de aberta. Ou seja, se uma garrafa for aberta para servir apenas uma taça e outras doses não forem pedidas até o dia seguinte, o dono do estabelecimento é quem tem que arcar com o custo do restante da garrafa.

Mas pensando numa solução boa pros consumidores e donos de bares é que surgiu a Enomatic, uma máquina que serve vinhos em doses e garante que a parcela não consumida continuará boa por um bom tempo. Aposto que você já deve ter visto uma delas por aí:

Um dos modelos de Enomatic

Um dos modelos de Enomatic – foto extraída do site oficial

Como funciona? O mecanismo é simples e muito legal: já que o responsável por estragar o vinho é o oxigênio, a máquina retira a dose e injeta Argônio na garrafa, preenchendo o espaço que o vinho ocupava e impedindo a oxidação do que restou. O Argônio é um gás nobre (lembra das aulas de química, tabela periódica ? rs) sem cheiro e sem gosto que não afeta o vinho e nem apresenta nenhum risco para os consumidores.

Em São Paulo, alguns bares e restaurantes já usam essa maravilha. O Bardega, no Itaim Bibi, é inclusive especializado em servir vinhos por taças e conta com diversas Enomatics para isso. Com três tamanhos de dose a preços proporcionais, você pode provar rótulos super premiados e caros$$$ sem precisar vender um órgão no mercado negro 😀 por isso, além de poder experimentar vinhos diferentes em uma mesma noite. Demais, né ?!

Como sempre esse papo me deu sede…vou ali fazer um brinde por mais inovações como esta no mundo dos vinhos ! 🙂

Saúde, santé, cheers, salud !