Vinologique

Porque a vida é curta para beber vinho ruim – tudo sobre o mundo dos vinhos para iniciantes de um jeito simples e sem frescuras!

Com ou sem cortes

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Muitos vinhos não são feitos de uma única casta, e sim com um corte (ou assemblage). Apesar do nome em português parecer estranho, a técnica é simples e consiste em misturar diferentes castas ou até diferentes safras para criar o vinho final.

Cortes são feitos por alguns motivos:

Determinação local: algumas DOCs (denominações de origem controladas) estipulam que vinhos produzidos em uma determinada região devem ser feitos com um determinado corte. É o caso por exemplo de Champagne, onde todos os produtores que queiram carregar o nome da região no rótulo precisam produzir seu vinho com um corte de Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.

Consistência: acontecimentos climáticos como chuva, granizo, calor excessivo, secas, etc alteram os resultados da produção das vinícolas todos os anos. Produtores de vinhos em maior escala podem usar o corte como forma de minimizar os efeitos destas mudanças, oferecendo uma certa consistência ao consumidor que costuma consumir determinado rótulo. Quando o vinho não é safrado, como também ocorre em Champagne (exceto em anos excepcionais), o enólogo também tem a missão de usar o corte como ferramenta para produzir um vinho o mais próximo possível daqueles produzidos em anos anteriores. Para isso, usam inclusive estoques de safras excepcionais quando necessário.

Château Tour Prignac - da sub-região de Médoc, em Bordeaux, corte Cabernet Sauvignon - Merlot

Château Tour Prignac – da sub-região de Médoc, em Bordeaux, corte Cabernet Sauvignon – Merlot

Complementaridade das uvas: enquanto algumas castas produzem vinhos mais simples, que agradam uma boa parcela dos consumidores, outros são mais complexos e não tão fáceis de agradar em um vinho de estilo varietal.       Produtores muitas vezes optam por fazer um corte para gerar um vinho que será mais bem aceito pelos consumidores (e, portanto, venderão mais). É o caso clássico da combinação entre Cabernet Sauvignon e Merlot (corte bordalês típico). A primeira tem muita acidez e taninos, que ficam mais suaves e em melhor equilíbrio num corte com a segunda.

Não vou dizer aqui que um vinho de corte é melhor que um varietal ou vice-versa. Ambos têm exemplares espetaculares e, como sempre, vai depender muito mais do seu paladar, da situação em que está sendo consumido e com que alimentos foi harmonizado. O que eu recomendo, SEMPRE, é não ter preconceitos e experimentar vinhos diferentes para aumentar o seu repertório.

E agora, já escolheu o vinho que vai beber hoje ? Afinal, uma segunda-feira também merece, né ? 😉

Saúde, santé, cheers, salud !

Autor: Vinologique

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