Vinologique

Porque a vida é curta para beber vinho ruim – tudo sobre o mundo dos vinhos para iniciantes de um jeito simples e sem frescuras!


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Defeitos imperdoáveis 

Final de semana chegando e você já deve estar fazendo planos pra abrir uma garrafa, né ? Então queria falar rapidinho sobre vinhos com defeito, que citei no último post. 

Vinhos com defeitos são aqueles que fogem às suas características padrão por algum processo que não era previsto em sua criação, ou seja, não estão bons para consumo. Sabe quando o garçom serve só um pouquinho da garrafa e espera alguém provar antes de servir o restante da mesa ? A intenção é justamente que o “provador” verifique se o vinho está limpo, ou seja, sem defeitos.

Em geral os defeitos podem ser descobertos no aroma (mas se for sutil você pode beber para tirar a dúvida). Os dois mais comuns são:

vinho com cheiro de mofo ou pano molhado: também conhecido como bouchonné (“rolhado”, em tradução livre), significa que o vinho foi contaminado por um fungo presente na rolha. Por razões óbvias, um vinho que não tenha rolha não pode ter este defeito. 😁

vinho com cheiro de vinagre ou vermute: significa que o vinho foi oxidado pela entrada de ar na garrafa. Isso pode acontecer por armazenamento incorreto ou porque ela já está aberta há dias (onde vendem vinhos em taça).

Pode parecer óbvio falando aqui, mas não é raro ver alguém bebendo um vinho defeituoso e achando que estas são suas características normais.  Um vinho pode ter tantos aromas exóticos (xixi de gato, suor, estábulo, giz, por exemplo) que os defeitos podem ser confundidos como mais um deles. Se for tomar um vinho e perceber um destes dois, não tenha vergonha de pedir que o sommelier do restaurante troque a garrafa/taça. Como digo, a vida é curta pra beber vinho ruim! 😉

Ótimo final de semana e desejo que encontre só vinhos perfeitos!!

Saúde, santé, cheers, salud !

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Que bom pra você !

Ok, agora sim voltando ao que interessa: VINHOS !!! Outra questão super comum é: na hora de comprar um rótulo que não conheço, como eu vou saber se este vinho é bom?

Já adianto que essa é uma pergunta que eu não vou conseguir responder fácil. Quer dizer, claro que existem indicadores da qualidade de um vinho, mas em primeiro lugar, gosto é totalmente pessoal ! Eu mesma já provei vinhos renomados (e caro$$$$) que não eram do meu gosto, mas ainda assim eram famosos e bem avaliados como bons exemplares de seu gênero.

O fato de eu não ter gostado (ou você) não questiona a qualidade do vinho em si. Sabe quando falei dos aromas ? Eu não sou muito fã de maracujá, por exemplo. Qualquer vinho branco que tenha um aroma muito forte de maracujá provavelmente não vai ser dos mais agradáveis pro meu paladar. Do mesmo jeito que você pode amar maracujá e vai achar o mesmo vinho incrível. A percepção também é muito pessoal, um aroma intenso para uns pode ser fraco para outros – vejo isso acontecer com comida o tempo todo.

Em relação à qualidade, existem sim vinhos com melhor reputação que outros, feitos em regiões mais propícias à produção, com uvas melhores, processos de fabricação mais elaborados, etc, mas nem sempre é o vinho mais caro que mais agrada.

E como saber se vc vai gostar de um vinho ou não ? Basta abrir a garrafa e tomá-lo ! 🙂 – não me xingue, to falando sério !!!

Fotinho pra descontrair - 2008 nas Caves da Moet & Chandon - região de Champagne

Fotinho pra descontrair – 2008 nas Caves da Moet & Chandon – região de Champagne

 

 O único jeito 100% infalível de saber se você vai gostar é provando. Se não conhece o rótulo, sempre é uma aposta – o truque é buscar pistas pra minimizar o seu risco. Se você gosta de vinhos e bebe com uma certa regularidade vai acabar percebendo que tem preferências. Pode ser uma uva, um produtor, uma região… Quanto mais vinhos diferentes você experimentar, mais vai desenvolver o seu olfato e paladar para identificar aromas prazerosos.

E claro que existem vinhos ruins – vou chamá-los aqui de vinhos com defeitos. Pense neles como os vinhos que, independente do gosto de cada um, todas as pessoas que o bebessem achariam ruim. São problemas criados na maioria das vezes pela armazenagem incorreta da garrafa e costumam ser fáceis de identificar. Mas isso explico outro dia…

Ah, ter memória boa também é importante: se gostar muito de um vinho (ou se não gostar), anote o nome e a uva. Tente perceber exatamente o que chamou sua atenção, para bem ou para mal. Assim da próxima vez que for escolher uma garrafa você já tem uma referência de partida. Mas desenvolver a lista de vinhos preferidos é uma missão – das mais agradáveis, aliás – que não pode ser terceirizada.

Última dica: muitos produtores ao importar vinho para o Brasil incluem um contrarrótulo. Às vezes eles indicam os aromas que você vai encontrar no vinho e você pode usar estas informações como guia, procurando por aromas familiares. E em todo caso, a maioria das lojas especializadas e restaurantes têm Sommeliers à disposição que podem ajudá-lo na escolha. Não tenha vergonha de perguntar, estamos aí pra isso !!! 🙂

E você, já tomou um vinho que não gostou?

Saúde, santé, cheers, salud !


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Apresentação tardia

Atendendo aos primeiros pedidos dos meus leitores, abro um pequeno parênteses pra falar um pouquinho de mim e deste blog antes de continuar falando dos vinhos.

Sou formada em Administração pela FGV e sempre trabalhei na área de Marketing. Quando ainda estava na faculdade, saí pela primeira vez do país para participar de um intercâmbio em Paris, na França. Se alguém já te disse que vinho na França é mais barato que água ou refrigerante, pode acreditar, muitas vezes é mesmo !! Com esse “incentivo” cultural, passei a me interessar sobre o assunto. Além de beber o vinho, que passei a gostar, quis entender como era produzido, de onde vinham os aromas, como escolher um vinho bom (habilidade importante quando você paga caro por uma garrafa como no Brasil) e etc.

O curioso é que na França ninguém é um super entendido em vinho, e ao mesmo tempo todos são. Vinho pra eles é parte do dia a dia, então eles tratam o assunto com a maior naturalidade. Você pode pedir uma taça de vinho em praticamente qualquer Café por lá e vai ser difícil servirem um vinho ruim. Ao mesmo tempo ele não vai ser servido com tanta cerimônia e você nem vai ver ninguém teorizando muito a respeito – a menos que você esteja em um restaurante mais fino, que só serve garrafas.

Aproveitei a temporada lá para fazer algumas aulas e degustações, tudo bem iniciante. Quando voltei, decidi que queria saber mais e procurei um curso mais estruturado. Fiz dois cursos de 8 semanas na ABS-SP e como um professor do curso indicou, comecei a investir na “litragem“. Por melhor que seja qualquer curso, de nada ele serve se você não beber. É assim que você descobre o que gosta e entende na prática o que aprendeu nas aulas. Também adoro incluir visitas a vinícolas em meus roteiros de férias – nada como entender os efeitos do clima, solo, tipo de produção, uva e, claro, degustar um rótulo in loco – dividindo aqui uma amostra delas:

Visitando uma das vinícolas de Bordeaux no Outuno

Visitando uma das vinícolas de Bordeaux no Outuno de 2010

Barris de carvalho para envelhecimento após a fermentação

Barris de carvalho para envelhecimento após a fermentação

Vinícola Almaviva nos arredores de Santiago no Inverno de 2011

Vinícola Almaviva nos arredores de Santiago no Inverno – 2011

Com tanto interesse no assunto, meus amigos mais próximos acabavam pedindo indicações de vinho e até cheguei a dar umas aulinhas – tudo muito simples e na brincadeira. Muitos me diziam que eu deveria investir mais nisso, transformar o hobby em trabalho.

Não estou transformando em trabalho ainda, só aumentando a intensidade do hobby por enquanto. Quero dividir tudo que já aprendi e aprender mais também – nada como uma audiência para me forçar a estar sempre atualizada! 🙂

Acreditem, tem MUITO assunto !!! Vou começar abordando tópicos mais genéricos, que se aplicam a todos os vinhos (como o post anterior) mas quero também dividir um pouco das minhas degustações, harmonizações e tudo o mais que vocês pedirem por aqui!

Agora chega de falar de mim, bora beber ! 🙂

Saúde, santé, cheers, salud !

ps: o botão de comentar fica no comecinho do post, do lado direito